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MAPA DO TESTE

O dicionário genealógico de cada parte do teste

Toda pergunta do teste leva a uma família de posições filosóficas. Esta página mostra a árvore completa: de onde cada resultado vem, e o que ele significa — sem precisar responder o teste de novo.

PARTE 1

Teoria Ética Normativa

Pergunta central: o que torna uma ação certa ou errada?

As categorias de teorias da ética normativa investigam como devemos agir e por quê: quais metas buscar; quais regras seguir; quais traços de caráter cultivar; se há ou não ações opcionais; se há ou não ações louváveis mas não obrigatórias; etc. Isto é, essas teorias não descrevem como as pessoas agem. Em vez disso, prescrevem como elas deveriam agir. Existem três categorias principais de teorias da ética normativa: consequencialismo, deontologia e éticas centradas no caráter. Dentro de cada uma dessas categorias, existem muitas variantes de teorias normativas.

Consequencialismo | o que mais deve importar é o resultado

Divide-se em três decisões independentes que se combinam entre si: método, critério de agregação (pode escolher mais de um) e peso do sofrimento frente ao prazer. O resultado mostra essas três decisões separadamente — Método, Subcorrentes e Enfoque — antes da explicação em texto.

Método

Avaliação por Ato, por Regra, ou um híbrido de dois níveis (regras no dia a dia, atos em situações extremas).

Critério de agregação — "Subcorrentes" (multi-seleção)

  • Utilitarismo Clássicoa maior soma total de bem-estar acumulado
  • Prioritarismosoma total, com peso extra para quem está em pior situação
  • Maximinavalia apenas pelo nível de quem está pior
  • Igualitarismoo que importa é o grau de igualdade na distribuição
  • Suficientismogarantir um nível mínimo e suficiente para todos
  • Utilitarismo Médioa maior média de bem-estar por indivíduo

Peso do sofrimento vs. prazer — "Enfoque" (escolha única)

  • Simétricosofrimento e prazer entram no cálculo com o mesmo peso
  • Prioridade ao sofrimentopesa mais, mas pode ser compensado por muito bem-estar
  • Negativo (prioridade absoluta)nenhuma quantidade de prazer compensa sofrimento extremo — mas fora de casos extremos, o prazer ainda conta normalmente
  • Exclusivamente negativoo prazer nunca tem valor moral positivo, nem mesmo fora de casos extremos — só reduzir sofrimento conta
Deontologia | o que mais deve importar são regras e deveres

Fundamentada na religião

  • Teoria do Mandamento Divino (Tradicional)algo é bom só porque Deus ordena
  • Teoria do Mandamento Divino (Modificada)Deus ordena o bom porque sua natureza já é boa

Fundamentada na razão / direitos

  • Deontologia Absolutistacertas restrições nunca podem ser violadas
  • Deontologia Moderada (de Limiar)valem quase sempre, cedem em catástrofes
  • Deontologia de Direitosdireitos básicos funcionam como "trunfos"
  • Doutrina do Duplo Efeitoimporta se o dano foi pretendido ou só previsto
  • Deontologia Pluralista (Deveres Prima Facie)vários deveres, sem hierarquia fixa entre eles
Éticas baseadas no Caráter | o que mais deve importar é quem você é
  • Ética das Virtudescultivar coragem, justiça, compaixão como fins em si
  • Ética do Cuidadocultivar a disposição de cuidar dos mais vulneráveis
Egoísmo Ético | o que mais deve importar é o meu próprio interesse
  • Egoísmo Ético Universaltodos deveriam agir sempre em interesse próprio
  • Egoísmo Ético Individualé minha escolha pessoal, não uma regra para todos
Relativismo e Ceticismo Ético | talvez não haja um padrão único
  • Relativismo Culturalcerto/errado depende das normas de cada cultura
  • Relativismo Individual (Subjetivismo)depende do julgamento de cada pessoa
  • Relativismo meramente Descritivoas normas variam, mas pode haver verdade objetiva por trás
Se a posição for "juízos morais só expressam atitudes, não são verdadeiros nem falsos", o teste pergunta se, mesmo cética, a pessoa quer descobrir sua tendência prática. Se ela disser que não, o resultado é Ceticismo Normativo. Se disser que sim, ela responde à pergunta principal de teoria ética normalmente (consequências, regras, caráter ou interesse próprio) — mas o resultado final vira Ceticismo Normativo (de tendência X), por exemplo "Ceticismo Normativo (de tendência Consequencialista)", combinando a postura cética com a subcorrente prática específica escolhida.

PARTE 2

Critérios e Círculo Moral

Pergunta central: quem — e o quê — merece consideração moral, e o quanto?

Perguntas sobre o círculo moral investigam a extensão da nossa preocupação ética: quem conta moralmente, e por quê — só eu, meu grupo mais próximo, toda a humanidade, todos os seres sencientes, toda a vida, ou até ecossistemas inteiros? As respostas tendem a variar conforme o critério usado para incluir alguém nesse círculo: capacidade de sentir dor e prazer, racionalidade, laços afetivos, ou pertencimento a uma espécie. Quanto mais amplo o critério adotado, maior tende a ser o círculo de consideração moral resultante.

Ponto de partida | o peso que você dá a si mesmo
  • EuEgoísmo Moral — prioridade absoluta a mim mesmo
  • Grupo íntimo / FamíliaTribalismo Familiar
  • Imparcialidade idealsegue para os vieses de grupo, abaixo
Vieses de grupo | Tribalismo Estendido

Mesmo buscando imparcialidade, é possível manter prioridades baseadas em pertencimento a um grupo. O teste mapeia 16 eixos possíveis (multi-seleção):

NaçãoRaçaEtniaSexoIdentidade de gêneroOrientação sexualReligiãoVisão político-econômicaClasse socialCapacidadePadrão estéticoFaixa etáriaPeso corporalLíngua/sotaqueSubstrato (orgânico vs. outros)Espécie
O resultado é sempre "Tribalismo Estendido", com os eixos marcados listados entre parênteses no título.
Fronteira do círculo moral | quem recebe consideração direta

Multi-seleção entre 5 categorias (Humanos e Animais Sencientes são mutuamente excludentes, pois a segunda já inclui a primeira). A opção de IAs/robôs sencientes traz a ressalva "caso existam".

Combinações sem incluir animais sencientes

  • Humanos, sozinhoAntropocentrismo Exclusivo
  • Humanos + Vida orgânicaAntropocentrismo Biocêntrico
  • Vida orgânica, sozinhaBiocentrismo
  • Humanos + EcossistemasAntropocentrismo com Preocupação Ecológica
  • Ecossistemas, sozinhoEcocentrismo / Holismo Ambiental
  • Combinações incomunsPluralismo Moral Atípico
  • Nenhuma opção marcadaNenhuma Consideração Moral Direta Atribuída

Ao marcar Animais sencientes → 2 perguntas extras

Isso vale mesmo que IAs/Robôs sencientes não sejam marcados. Gradualismo (a inteligência altera o peso do sofrimento?) cruzado com Temporalismo (o futuro pesa igual ao presente?) — o resultado muda conforme IAs/Robôs também tenham sido marcados:

  • Não-gradualista + Atemporalsó animais: Sencientismo Pleno (Carbonismo) · com IAs: Sencientismo Pleno
  • Gradualista + Temporalistasó animais: Sencientismo Parcial (Carbonismo Gradualista Temporalista) · com IAs: Sencientismo Parcial (Gradualista Temporalista)
  • Gradualista + Atemporalsó animais: Sencientismo Parcial (Carbonismo Gradualista Atemporal) · com IAs: Sencientismo Parcial (Gradualista Atemporal)
  • Não-gradualista + Temporalistasó animais: Sencientismo Parcial (Carbonismo Pleno Temporalista) · com IAs: Sencientismo Parcial (Pleno Temporalista)
Se Ecossistemas também for marcado junto de um resultado "Pleno" (com ou sem IAs), o título ganha o sufixo "e Holismo Ecológico". E marcar Ecossistemas sem marcar nenhuma forma de senciência gera um aviso de tensão filosófica na sua posição.

PARTE 3

Fundamentos Metaéticos

Pergunta central: fatos morais existem? O que é, afinal, um fato moral — e como o conhecemos?

Perguntas de metaética não tratam do que é certo ou errado em cada situação, mas do estatuto da própria moralidade: será que juízos morais descrevem fatos reais e independentes da mente humana? São verdadeiros apenas dentro de um referencial cultural ou pessoal? São apenas expressões de atitudes e emoções, sem pretensão de verdade? Ou será que a própria pergunta sobre a natureza dos fatos morais está mal colocada, e não precisa de uma resposta definitiva?

Existem fatos morais objetivos?

O título do resultado é sempre a corrente principal — Realismo Moral, Anti-Realismo Moral ou Quietismo Metaético — com a posição específica aparecendo como "Subcorrente" logo abaixo.

Sim → Realismo Moral | questão ontológica: qual a natureza desses fatos?

  • Naturalistareduzíveis a fatos naturais (físicos, biológicos)
  • Não-Naturalistafatos de uma dimensão própria, irredutível (sui generis) — algo similar à matemática, que também não é um fato empírico

Sim → Realismo Moral | questão epistemológica: como descobrimos esses fatos?

  • Investigação empíricaSubcorrente: Naturalista — descoberto como qualquer outro fato natural
  • Intuição racional especialSubcorrente: Não-Naturalista — não descoberto por observação empírica direta
Ou: avaliando o que agentes racionais decidiriam em condições ideais — este é o critério metaético que fundamenta o Contratualismo, explorado a seguir. É possível marcar mais de uma formulação ao mesmo tempo, e a Subcorrente reflete a combinação.
  • Hobbesianoregras que pessoas em busca de paz e segurança mútua topariam seguir
  • Rawlsianoregras escolhidas por trás de um "véu da ignorância" — imagine decidir as regras da sociedade sem saber, de antemão, qual posição você vai ocupar nela
  • Escanlonianoregras que ninguém, agindo de boa-fé, poderia razoavelmente rejeitar
  • Estendidoesse véu de ignorância também esconde a espécie a que pertencemos (Mark Rowlands)

Não, mas relativo a um referencial → Anti-Realismo Moral

  • Relativismo / Subjetivismo MetaéticoSubcorrente — juízos só são verdadeiros/falsos dentro de uma matriz cultural ou pessoal

Não, e nenhuma afirmação moral é verdadeira → Anti-Realismo Moral

  • Teoria do Erro (Ceticismo Moral)Subcorrente — toda afirmação moral pressupõe fatos que não existem

A moralidade não lida com verdade/falsidade (não-cognitivismo) → Anti-Realismo Moral

  • EmotivismoSubcorrente — juízos morais expressam emoções ("matar é errado" = "matar, buuu!")
  • PrescritivismoSubcorrente — juízos morais são comandos disfarçados e universalizáveis
  • Quase-RealismoSubcorrente — expressamos atitudes, mas agimos "como se" houvesse objetividade

Recusar a pergunta → Quietismo Metaético

Ludwig Wittgenstein é apontado como referência para essa postura — um "quietista", ou um realista "relaxado". A ideia central: perguntar se os fatos morais são "independentes da mente" (realismo) ou "meros sentimentos" (antirrealismo) já é uma pergunta mal formulada. Aceita-se a prática moral tal como ela funciona na linguagem humana, sem buscar fundamentos metafísicos que a justifiquem ou invalidem "de fora".

PARTE 4

Abertura Moral e Intelectual

Pergunta central: como você lida com argumentos, evidências, incerteza e mudança de crenças?

Esta parte não pergunta quais crenças morais você tem, mas como você as sustenta e revisa ao longo do tempo. Diante de um argumento forte ou de uma evidência nova que contraria uma posição sua, você reavalia genuinamente essa posição, ou tende a mantê-la mesmo sob pressão racional? Essa disposição — entre a flexibilidade intelectual e a confiança em convicções já estabelecidas — molda como cada pessoa evolui (ou não) em suas próprias visões éticas.

Três perguntas somadas em uma pontuação
  • Alta Abertura e Flexibilidade Éticaquestiona crenças arraigadas diante de bons contra-argumentos
  • Abertura Moderadaflexível, mas exige evidências excepcionalmente fortes
  • Postura Conservadora / Baixa Aberturaforte confiança em intuições e convenções já estabelecidas